Talvez o maior sonho do povo desta ex-colônia de Portugal é ver o seu país no Primeiro Mundo. Quando algum brasileiro se destaca entre os melhores do planeta, floresce um forte sentimento de orgulho nacional em cada membro desta Nação. Basta lembrar do Futebol Canarinho, de Ayrton Senna, do Samba, de Carmem Miranda, do Rio de Janeiro, de Gustavo Borges ou de Santos Dumond para todo brasileiro encher o peito de felicidade.Mas existe uma atividade na qual os brasileiros estão entre os melhores do Globo Terrestre e quase ninguém tem: o Skateboard, em português, apenas Skate.
Seja na categoria Street (na qual os atletas utilizam obstáculos tipicamente urbanos – como escadas, corrimãos e outros, para realizarem suas manobras) ou na Vertical (praticada em pistas chamadas de halfpipe com forma aproximada de "U" e 3,50 metros de altura em média), os americanos – inventores e detentores do mercado mais estruturado deste esporte, estão sendo obrigados a se curvar ao talento dos skatistas brasileiros. A maior prova deste reconhecimento foi a eleição do carioca Bob Burnquist como o skatista do ano de 1997 pela revista especializada norte-americana Thrasher.
Apelidado de Homem-Borracha (devido à sua capacidade de retorcer o corpo para finalizar as manobras que ninguém imaginaria ver um mortal acertando), Rei do Switch Stance (trocar o pé da frente pelo de traz e vice-versa para fazer as manobras – é exatamente como um destro jogar tênis com mão canhota; imagine a habilidade envolvida!), O Embaixador do Skate Brasileiro (por sempre vincular seu nome e imagem a elementos patrióticos – bandeira, hino, camisa da seleção de futebol e outros), Burnquist ainda tem o privilégio de ter sido escolhido como o melhor skatista do mundo pelo maior mito da história deste esporte, Tony Hawk, o Pelé do skate.
Lincoln Ueda foi o brasileiro desbravador das boas colocações em eventos internacionais. Em 1989, aos quinze anos de idade, Ueda participou do Mundial de Münster, na Alemanha, e trouxe um surpreendente quarto lugar, numa época em que ficar entre os dez era façanha. Hoje, Lincoln, graças à altura de seus aéreos e suas manobras super contorcidas, é respeitadíssimo por qualquer ser vivo que entenda de Skate.
Digo Menezes é outra super estrela brasileira na constelação da "prancha com rodinhas". Vencedor do Mundial de Münster em 1995 e tri-campeão brasileiro de Vertical, Digo já provou para o mundo que nesta galáxia é um dos melhores.
Mais um atleta que mantém o nível do skate tupiniquim elevado é Sandro Mineirinho. Na recente turnê, no verão europeu, Mineirinho tirou terceiro na República Tcheca, na França e quarto em Münster. Nada mal! Fora as inúmeras provas de altura de aéreos vencidas ao longo de sua carreira (seu recorde pessoal é de 3,80m).
Esses foram os que mais se destacaram nos Halfpipes do planeta. Entretanto, num país de milhares de praticantes de skate, existem outros ótimos skatistas que merecem ser citados, é o caso de Marcelo Kosake, Cristiano Mateus e Eugênio Geninho.
Até agora apenas os "pistoleiros" foram mencionados. Mas o Brasil também tem alguns dos melhores skatistas de rua do mundo.
Rodil Ferrugem é o maior destaque. Em qualquer competição que participe este skatista de cristo é favorito. Não é para menos, segundo ele, já venceu entre cinqüenta e sessenta campeonatos profissionais, incluindo o Slam City Jam de 98, no Canadá, e os dois últimos Extreme Games, nos Estados Unidos. Como se não bastasse, foi eleito o segundo melhor skatista do mundo de street (perdeu apenas para o americano, ás da velocidade, Chris Senn) pela World Cup of Skateboarding – associação mundial para a organização do skate.
Carlos de Andrade, o Piolho, forma com Ferrugem a dupla de curitibanos que melhor representa o street skate do Brasil no exterior. Também já ganhou o Slam City Jam – só que em 1996, subiu ao lugar mais alto do pódium ainda no Ventura Skatepark, Califórnia; e na Suiça, ambos em 98.
Sem dúvida, os dois paranaenses são os mais competitivos brasileiros do street (disparadamente, o estilo de skate mais praticado na Terra), mas não se pode deixar de lembrar a elevada capacidade técnica e o reconhecimento internacional que Márcio Tarobinha, Nílton Urina, Ricardo Carvalho, Alexandre Ribeiro, Fábio "Chupeta" Cristiano, Rogério Mancha, Lúcio Mosquito, Fábio Sleiman e Wolney dos Santos já obtiveram.
O skate sempre foi um esporte alternativo; e justamente por estar fora do interesse central da mídia, nunca criou ídolos nacionais. Porém, como a história mostra, o esporte que mais trouxe medalhas para o Brasil nos três últimos anos tem muito mais que estrelas solitárias como Guga Kuerten, Alexandre Barros, Maguila ou Soraia Carvalho, representantes de esportes muito mais reconhecidos pelo público, graças à ótica semi-limitada dos grandes meios de comunicação deste país.
Um comentário:
Esse é o Cara Mineirinho... Sandro Dias
Postar um comentário